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8 de mar. de 2015

Post no Facebook em 08/03/2015


Boa tarde, meus amigos.
Esta semana resolvi fazer um post duplo, com as versões em vídeo e escrita, uma vez que alguns preferem uma forma e outros preferem outra (temos que ser multimídia).
Passei bem essa semana, a paralisia facial já melhorou bastante e consigo fazer movimentos que não conseguia. Continuando a fisioterapia a previsão é que tudo melhore totalmente e não fiquem sequelas.
Estou passando bem, continuo com o desarranjo intestinal, mas fora isso tenho me sentido muito animado e disposto. De uns dias para cá o meu ouvido esquerdo tem sempre amanhecido entupido, parece que ele incha e o canal auditivo se fecha. Na segunda vou a um otorrino para verificar o que pode estar acontecendo, imagino que possa ser uma pequena infecção. Como eu tive esse mesmo sintoma nos dias que tive a paralisia, imagino até que tenha relação de uma coisa com outra.
A boa notícia é que a médica sinalizou que realmente terei alta este mês e nossa expectativa é estar de volta em casa ainda este mês.
Ontem tive uma grata surpresa com a armação da Gislaine Lima​ e Grupo Jurassic Prodes​. Ela pediu para que eu estendesse uma roupa no terraço do prédio e, quando cheguei lá, boa parte da turma estava lá para me fazer uma surpresa. Realmente fiquei muito comovido e feliz com a visita dessa turma que amo tanto, são meus irmãos em Cristo e essa visita significou muito para mim.
No mais, desejo a todos uma excelente semana que que todos fiquem em paz.

14 de dez. de 2009

Atalhos para a alma

O senso estético faz parte da formação humana desde a pré-história. O equilíbrio de cores das pinturas rupestres, o ritmo dos tambores, o som melodioso das primeiras flautas esculpidas em ossos ou as pinturas corporais e danças que identificavam as tribos, festas e manifestações religiosas foram as primeiras expressões do que hoje chamamos arte. Por mais requintada que seja, por mais técnica que exista na sua confecção ou apreciação, a arte só se justifica pelos mesmos motivos que se justificavam na arte pré-histórica: A arte é um atalho para a alma!

Há mais de um ano, nós do grupo Jurassic Prodes estávamos nos preparando na organização da Primeira Parada Prodes da Fazenda Recanto de Caná, que ocorreu nos dias 28 e 29 de novembro último. Durante este tempo, ponderamos como adaptar um encontro originalmente feito para adolescentes de forma a atingir um público muito mais diverso em idades, culturas e vivências. Ao contrário dos adolescentes que se vêm com a vida toda pela frente, cheios de planos e sonhos, nosso público dessa vez consistia de pessoas que chegaram ao fundo do poço e buscavam desesperadamente por uma saída. Como tocar essas pessoas? Como despertar nelas a vontade de viver? Como incentivá-las a encontrar forças para lutar?

Durante todo o mês de novembro eu e a Carlinha nos preparamos para o encontro montando a palestra Pessoa Humana Auto-Educada. Neste período, dentre tantas preocupações na preparação de uma palestra como essa, procurávamos encontrar uma forma de despertar o interesse e quebrar aquela resistência inicial tão comum em encontros como esse.

Logo no início do encontro, por iniciativa dos próprios internos, com um deles ao teclado e todos com a voz, entoaram a música “Entra na minha casa”. Neste momento percebi que minha preocupação em quebrar sua resistência inicial e abrirem o coração para receber a palavra que levávamos era infundada. Muito pelo contrário, foram eles, com aquela música, cantada tantas vezes durante o encontro, que nos fez render aos ensinamentos que eles passaram a nós.

A música era cantada por eles com tanto amor, tanta ênfase, tanta vontade, que era impossível não se sensibilizar e sentir toda aquela energia no ar. Cantavam a uma só voz, uma só alma, a música que era um hino para eles, uma tábua de salvação. A energia trocada ali era quase palpável, sentia-se no ar a angústia e a tristeza, mas também a esperança e a força para lutar.

Que outra forma de tocar a alma tão profundamente senão pela a arte? A arte no mais puro conceito, feita com o coração mas principalmente interpretada com a alma. Que outra forma existe de trocar energia de forma tão sublime, tão intensa? Só imagino mais uma: a oração! Mas o que aqueles internos faziam era orar cantando. Eles expressavam no canto suas orações mais íntimas, seus desejos, sua esperança e seus pedidos. E quantas vezes não usamos orações cantadas em nossos encontros?

A arte é um atalho para a alma, seja ela uma música, uma pintura, um poema... Naquele encontro eu fui tocado como em nenhum outro encontro. Aprendi numa dimensão muito maior do que ensinei. Vivi com os outros dirigentes, com o Padre Osvaldo, mas principalmente com os internos, momentos de sublime interação com Deus.

Ontem, dia de domingo, churrasco na casa do vizinho, por sobre o muro escutei pagodeiros bêbados e desafinados cantando. O dia inteiro exerci minha política de boa vizinhança aguentando aqueles desafinos e gritaria, mas eis que de repente começam a cantar “Entra na minha casa” e instantaneamente volto dois domingos e me vejo na Fazenda de Caná e já não escuto mais os bêbados desafinados, escuto os internos cantando com alma, com força e esperança em dias melhores. Novamente estava comungando com eles, voltam-me à memória rostos, palavras, abraços e vem a certeza de que aquele encontro será eterno em meu coração, um divisor de águas. De agora para sempre, aquela música é um atalho para minha alma, meu coração e meu espírito.

Sei que aquele encontro não foi especial somente para mim. Como todos os dirigentes daquele encontro que conversei se manifestaram de maneira parecida. Foi como reviver a minha primeira Parada Prodes, mas agora de maneira muito mais intensa, com muito mais condições de absorver e aprofundar-me em tudo que aconteceu naquele encontro. Ainda assim, aquela música, nos primeiros minutos do encontro, atingiu diretamente minha alma com uma velocidade e força imensas. Isso porque aquela música não foi simplesmente um atalho para minha alma, mas também um atalho para a alma daqueles que a cantavam com tanta emoção. Nossas almas estavam juntas … juntas na palavra do Senhor.

2 de dez. de 2009

Encontro na Fazenda de Caná

Há quase vinte anos, fui convidado para participar de um grupo de jovens chamado Prodes. Este grupo de jovens faz parte de uma grande família, a Família de Caná.
Em 2007 o integrantes de minha época deste grupo de jovens (ele existe até hoje, renovando-se ao longo do tempo) voltou a se reunir para tentar encontrar uma forma de retomarmos juntos o trabalho que começamos a vinte e tantos anos atrás e que cada um desenvolvia à sua maneira ou, como eu, andava relegando seus deveres de cristão na ajuda ao próximo. Nasceu assim o Jurassic Prodes.
Em 2008 organizamos um encontro entre o Prodes e o Jurassic Prodes e trocamos experiências com nossos herdeiros. Este encontro foi um ensaio e uma preparação para uma proposta nascida ainda em 2007: Desenvolver um trabalho junto à Fazenda de Caná, uma fazenda para recuperação de dependentes químicos, de forma sistemática e contínua, para que pudéssemos, juntos, realizar um trabalho social e espiritual.
Neste último final de semana, dias 28 e 29 de novembro, aconteceu o Primeiro Encontro para Dependentes Químicos organizado pelo Jurassic Prodes na Fazenda de Caná. A experiência que vivi neste final de semana foi simplesmente mágica! A oportunidade de trocar experiências com pessoas que têm uma luta tão grande fortaleceu muito a minha fé e minha vontade de trabalhar por um mundo melhor.
O convívio de pessoas que tiveram sua vida arruinada pelo vício, famílias desesperadas para encontrar uma saída e a força que todos eles têm na luta pela cura me estimulou a também buscar mais.
Esta semana eu estou avaliando e reavaliando tudo que aprendi no último final de semana, digerindo todas as informações, assimilando conhecimento, revivendo sentimentos.
Não sei descrever o quão intenso e gratificante foi essa experiência, mas sei que quero mais. Quero a oportunidade de ser ajudado no ato de ajudar. Quero minha fé fortalecida, quero me sentir mais próximo do Criador.
Nunca fui frequentador da igreja, mal sei rezar o Pai Nosso e a Ave Maria, mas este final de semana me fez sentir falta de algo mais. De reavaliar quem sou e a que vim.

8 de out. de 2007

Notícias do Zat 28 (08/10/2007)

Olá Pessoal.

Aqui estou eu novamente com meu e-mail semanal. Desta vez tenho somente notícias boas para vocês. Eu já estou passando muito bem, as aftas melhoraram demais, apenas uma ainda não fechou totalmente, mas ela já não me atrapalha nem a comer e nem a conversar. Não tenho tido reações aos medicamentos, nem febre e nem precisado mais de transfusões de hemácias e plaquetas.

Ainda estou tomando um medicamento forte para conter infecções e a dose que devo tomar deve se completar na quarta feira. Como meu estado geral está muito bom e os exames corroboram isso, imagino que quinta feira eu deva ter alta, se Deus quiser.

Em princípio, este foi meu último ciclo de quimioterapia. Agora ficamos aguardando um doador compatível, já estou cadastrado no REREME (Registro de Receptores de Medula Óssea) e continuo incentivando o máximo de pessoas possível a se cadastrar no REDOME (Registro de Doadores de Medula Óssea). Uma vez encontrado um doador compatível, iremos analisar se realmente precisaremos fazer o transplante. Ao que tudo indica, só precisarei fazer nova quimioterapia ou transplante se eu tiver uma recaída, ou seja, se nos meus exames voltarem a aparecer células cancerígenas causadoras da Leucemia. No entanto, mesmo com este prognóstico positivo, é extremamente importante encontrar um doador compatível, pois apesar de não ser o que queremos a qualquer momento a doença pode voltar. Por isso é importante que o máximo de pessoas possível se cadastre no REDOME (veja instruções no final deste e-mail) para que se tenha uma possibilidade maior de encontrar um doador compatível, não somente para mim, mas para milhares de pessoas que, como eu, estão aguardando um doador.

Meus planos agora são de voltar a estudar para concursos, voltar a trabalhar e me sentir útil. Dentro de uns 3 meses poderei ter uma vida praticamente normal, apesar de ter que fazer um controle da doença nos próximos anos.

Gostaria de aproveitar para agradecer a todos vocês, que de uma forma ou de outra me deram apoio, seja com doações de sangue, seja conseguindo ou batalhando doadores, enviando mensagens de otimismo, me dando força com visitas, amigos reaparecendo na distância e no tempo mostrando que a verdadeira amizade é sempre presente. A toda a equipe do Hospital Mater Dei, que me acolheu e se esforçou muito pela minha recuperação, sejam médicos, enfermeiros, copeiros, pessoal da higienização. Todos aqui me trataram com muita humanidade e carinho. Emocionei-me várias vezes neste período de tratamento, vi de muito perto a morte no dia em que fui transferido para o CTI, aprendi a valorizar ainda mais as coisas boas da vida.

Não posso deixar de registrar aqui o apoio de pessoas que não "largaram do meu pé" durante todo este período, principalmente minha esposa, a Gislaine, minha irmã, a Sheila, e minha tia Dalva que passou inúmeros dias comigo aqui no hospital. Não que eu esteja esquecendo inúmeras outras pessoas que, como puderam, me ajudaram e estiveram presentes à sua maneira, mas sei que muitas vezes a correria do dia a dia e os problemas que todos nós temos não nos deixam ser presentes como queremos. Mas podem ter certeza de que valorizei cada e-mail, cada telefonema, cada visita, cada contato pelo MSN ou pelo Skype, cada recado deixado no Orkut (apesar de não conseguir acessar o Orkut daqui do hospital), cada oração ... foram muitas as pessoas e as formas de me darem apoio, valorizei e me senti mais fortalecido com cada uma delas.

Gostaria também de deixar um recado a cada um de vocês: Aproveitem a vida! Na segunda quinzena de setembro do ano passado, eu e a Gislaine estávamos curtindo uma segunda lua de mel em Fernando de Noronha, cheios de saúde e nos achando imunes a todas as mazelas do mundo. Exatamente um ano depois eu estava aqui internado no hospital tratando de uma doença grave e passando por um dos piores momentos de todo o tratamento. Por isso eu repito, aproveitem a vida, olhem para o lado e vejam quantas coisas boas os rodeiam, a despeito de algumas poucas coisas ruins (tendemos a valorizar as coisas ruins), olhe nos olhos das pessoas que você ama e diga o que sente a elas. Olhe para as pessoas que te incomodam e observe que elas também têm qualidades e podem fazer bem a você e você fazer bem a elas. Aproveitem as pequenas coisas da vida, pois é nelas que reside a verdadeira felicidade. Firme os olhos nas verdadeiras grandes coisas da vida, pois é delas que nasce o brio da conquista humana.

Nunca me esquecerei de uma frase do Padre Osvaldo, coordenador do Recanto de Caná, onde participei do PRODES, um grupo de jovens que fez grande diferença em minha vida. Ele disse certa vez que "A felicidade reside em manter os pés no chão, as mãos no arado e os olhos na estrela". É isso que devemos fazer: manter os pés no chão da razão, as mãos no arado para sermos úteis e produtivos e os olhos na estrela de nossos sonhos, em busca sempre de algo melhor.

Muito obrigado a todos vocês, com o apoio que recebi foi muito mais fácil passar por isso tudo.

De agora em diante, não esperem receber e-mails semanais sobre meu estado de saúde, espero não ter muitas novidades de agora em diante, apenas a cura progressiva. Mas de tempos em tempos voltarei a enviar e-mails esporádicos contando como anda minha recuperação e minha volta à vida normal. Manterei meu blog atualizado ( http://zatlima.blogspot.com) e em minha assinatura tem meu e-mail, MSN e Skype para mantermos contato.

Um grande abraço a todos e até breve.

Doação de Sangue

Rua Juiz de Fora, 861. Barro Preto. (Próximo ao Colégio Pio XII)

De segunda a sexta de 8:00 às 16:00

Sábado de 8:00 às 12:00 (agendar por telefone)

Tel: 3335-6600

Doar para:

Mozart Fernandes Moreira Lima

Hospital Mater Dei

Doação de Medula

Hemominas

Alameda Ezequiel Dias, 321. Centro

Terças, quartas e quintas de 7:00 às 15:00

Tel: 0800-310101

Será coletada uma amostra de seu sangue para classificação do tipo de sua medula. Esses dados são cadastrados no banco de dados e, caso você seja compatível com alguém que precise de transplante, você será chamado para fazer novos exames e confirmar a doação.